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Carlos Ramires da Costa "Caso Carlinhos"

(Matéria postada por Cristiano Santoro - perito judicial)
 

 


Conhecido como Carlinhos, Carlos Ramires da Costa era um dos sete filhos de dona de casa Maria da Conceição Ramires da Costa e do industrial João Mello da Costa.

 
Era uma família normal de classe média até o dia 2 de agosto de 1973. Noite marcante. Naquela noite a casa na rua Alice, Zona Sul do Rio de Janeiro Carlinhos foi seqüestrado por um homem mascarado dentro de casa e foi assistido pela mãe e os seis irmãos. O seqüestrador deixou um bilhete antes de sair que pedia um resgate que hoje é equivalente a R$ 47 mil.
 
Também foi estipulado o local de pagamento do resgate. No dia do pagamento o local foi ocupado por policiais disfarçados e vários repórteres de emissoras diferentes. Ninguém apareceu para receber o resgate. A partir disso o caso Carlinhos tornaria-se um caso cada vez mais cabuloso. Três pessoas foram apresentadas pela polícia à imprensa como sendo as culpadas pelo crime, mas dias depois a própria polícia desmentiria as acusações. Até João Mello da Costa, pai de Carlinhos, passou a ser apontado como suspeito e ficou um tempo preso na cadeia, mas teve de ser solto pois a polícia não conseguiu reunir provas contra ele.

No ano de 1976, após 19 anos de casamento os pais de Carlinhos de separaram. Segundo dona Maria da Conceição (mãe de Carlinhos) quando o ex-marido, voltou para casa na noite do crime o seqüestrador ainda podia ser visto levando embora Carlinhos. Maria da Conceição também disse que o ex-marido não tentou alcançá-los.

Em meados de março de 1977, quatro anos depois do seqüestro, Vera Lúcia , irmã de Carlinhos, fez um depoimento à polícia dizendo que reconheceu o seqüestrador. Ela apontou um funcionário do laboratório de seu pai: Sílvio Azevedo Pereira.
O suposto seqüestrador chegou a ser condenado 13 anos de prisão, mas seus advogados recorreram da sentença e ele foi absolvido (solto).
 
Descobrindo o seqüestro e observações:
 
O jeito estranho da mãe
A mãe de Carlinhos tinha comportamento estranho e aparentava perturbação mental. Dentre as coisas anormais que chamaram a nossa atenção, o estado de imundície e descuido da bela casa e das crianças foi uma das mais marcantes. As meninas pareciam maltratadas e sem qualquer educação. A atitude alienada de Maria da Conceição, que sorria para as câmeras e falava como se fosse uma artista de cinema, chegou a chocar os policiais, que logo a deixaram de lado nas entrevistas. Estava na cara que a mulher tinha alguns parafusos a menos.

Nos muitos plantões que dezenas de repórteres demos à frente da casa, testemunhamos comportamentos no mínimo inadequados: ela costumava aparecer cantando ou penteando seus cabelos sensualmente na janela, de camisola, no meio da madrugada. Adorava aparecer, uma alma de artista.

Em pleno litígio com o marido, Conceição tentou incriminá-lo de todas as formas durante o processo de apuração policial, talvez movida por ódio ou para despistar. A maior parte de seus depoimentos sobre João Mello e seu empregado Sílvio à polícia foram depois desmentidos, o que levou as autoridades a não considerá-la mais em suas investigações.
 
Ditadura manda investigar
Estávamos em plena ditadura e vários órgãos de segurança estiveram discretamente (alguns nem tanto) envolvidos na investigação do caso. Virou lenda aquele cara grandão, olhos claros, pinta de galã, bem vestido, dirigindo uma Mercedes-Benz novinha, que volta e meia acompanhava a gente nos plantões da madrugada na rua Alice. Não raro, ele passava no Bob's e levava dezenas de sanduíches e sucos para todos nós. Uns diziam que era da Polícia Federal, outros, que era ligado à CIA e à Embaixada Americana. Demonstrava ter acesso ao delegado encarregado da investigação. Nunca se soube quem era.

Para resumir o assunto, que é demasiado longo, vou direto ao ponto do qual nunca se falou: a investigação paralela desenvolvida por órgãos de segurança e a cujo teor tive acesso. Maria da Conceição foi interrogada por dois dias;  a constatação de sua deficiência mental e o parentesco dela com um coronel teriam levado as autoridades a liberá-la. O relatório apresentava mais ou menos a seguinte linha de fatos e conclusões:

1) A mãe de Carlinhos não tinha boas relações com o marido havia cerca de dois anos e praticamente não se falavam mais. Os principais obstáculos para a separação seriam os sete filhos e a falta de dinheiro, porque João Mello estava numa fase financeira delicada e não teria como (ou não queria) dar pensão a todos;

2) Conceição tinha verdadeira paixão pelo filho Carlinhos e não se dedicava tanto às outras crianças, exceto Vera Lúcia, a quem era chegada. Além de apresentar problemas de comportamento, a mulher era "aficionada por magias e superstições, e freqüentava um terreiro de macumba";

3) Ela teria se tornado íntima de um pai-de-santo, com quem planejaria o seqüestro. Constava que o plano original seria tirar algum dinheiro do marido e passar a viver noutro local com o amante e os filhos Vera Lúcia e Carlinhos, seus prediletos. Mesmo que o resgate fosse pago, a criança jamais seria devolvida;

5) Além do imprevisto de o bilhete de resgate ser divulgado pelo O Globo, o caso ganhou uma repercussão inesperada, não rendeu nenhum tostão e a polícia começou a chegar perto, por isso, o seqüestrador desistiu da empreitada e fugiu (teria sido posteriormente localizado no Maranhão e morrido em confronto com agentes militares);

6) Com o aprofundamento das investigações sobre sua vida, Conceição mudou rapidamente de comportamento, passando da macumba ao cardecismo, de mulher fogosa a mãe extremada (papel que viria interpretando até hoje, agora convertida em "evangélica"). 

Este é o resumo do que foi apurado pelos órgãos de segurança, naquela ocasião. Por este raciocínio, quem deve saber do destino do garoto é a sua mãe. A minha suposição é de que ele foi morto pelo seqüestrador antes da fuga. A obsessão de Maria da Conceição por Carlinhos era tão desmedida que ela não suportaria um período tão longo sem procurar vê-lo, se ele estivesse vivo. Ela foi vigiada durante muitos anos, sem dar nenhuma pista.
Para entender melhor como pôde acontecer tanto desencontro no caso Carlinhos, é necessário saber que naquela época os policiais faziam de tudo para aparecer na mídia, havia uma disputa por notoriedade só comparável a algumas histórias dos anos 30 em filmes americanos. Se alguém confessava qualquer bobagem, o delegado corria a fazer declarações à imprensa, mesmo sem ter nada comprovado. Naturalmente, pouco depois a história desabava e ficava o dito pelo não dito, sem desmentidos oficiais. 

Por isso tem tanta acusação estapafúrdia no Caso Carlinhos, principalmente de Maria da Conceição contra o marido e seus empregados, aparentemente, uma vingança de mulher magoada e desequilibrada. Teve até um maluco (Adilson de tal) que foi preso pelo Delegado Moacir Bellot, da Baixada Fluminense,  por afirmar que jogara o corpo de Carlinhos no fundo da Baía de Guanabara (tive uma edição extra em O Dia, assinada, com a matéria da descoberta de uma ossada na baía - que não era de Carlinhos, viu-se depois).

Uma curiosidade: na equipe de reportagem policial da noite, em O Globo, havia três profissionais da velha-guarda, Ronald, Seixas e Gilson, e dois focas - eu e Tim Lopes (assassinado em 2002 pelo traficante Elias Maluco). Se o Tim não estivesse de folga naquela noite, o plantão no "castigo" da rádio escuta seria dele - e a história também.
Tirando dúvidas
Aqui temos algumas perguntas que me foram feitas por Renata Hingel e outros interessados, em diferentes ocasiões, cujas respostas reuni e sintetizei para melhor acompanhamento.
Maria da Conceição Ramirez da Costa, mãe de Carlinhos, afirmou há pouco tempo que vivia bem com o marido e sua separação ocorreu em função do desgaste causado pelo drama do seqüestro. Você afirma que eles já não viviam bem à época do crime. Pode esclarecer?

Celso - O próprio marido, João Mello, declarava-se separado de Conceição, na ocasião do seqüestro, embora ainda vivessem sob o mesmo teto. Comentava-se, na época, que o motivo da separação seria o comportamento anormal da mulher, em particular seus casos extra-conjugais. Está nas primeiras reportagens, basta conferir nos jornais da época. Maria da Conceição está enganada ou mentindo.

Na época do programa de TV Linha Direta, ela disse que a culpa pelo seqüestro não ter sido resolvido foi de João Mello, que divulgara o bilhete de resgate para os jornais. Você diz que quem entregou o bilhete para você foi a Polícia...

Celso - Primeiramente, o bilhete surgiu nas mãos de Conceição, que o entregou ao marido (ela alega que recebeu o papel da filha Vera Lúcia). João o repassou ao detetive da 9ª DP que, pouco depois, me emprestou o documento para que o nosso fotógrafo o reproduzisse. Absolutamente, o pai de Carlinhos não divulgou o bilhete, mas entregou-o diretamente à polícia. Novamente a mãe enganou-se ou mentiu. E, aliás, esse bilhete depois desapareceu do inquérito policial.
Para que serve os perito: no caso Carlinho a justiça teve uma grande ajuda a entender que as provas são fundamentais para investigação e prefere se basear em provas técnicas e cientificas, e jamais em acusações ( Cristiano Santoro Magalhães Perito Judicial Rio de janeiro 17/05/2011 )
 
Considerando o profundo conhecimento que você possui acerca de detalhes do caso em questão, você participou como depoente no programa Linha Direta Justiça da Rede Globo, quando este exibiu o caso Carlinhos?
 
Celso - Não me considero um profundo conhecedor do caso, meu relato é apenas sobre o período em que fiz a cobertura jornalística. Nunca fui chamado por ninguém para qualquer esclarecimento ou depoimento, provavelmente porque pouca gente sabe que a matéria do Carlinhos foi iniciada por mim. Nunca fiz questão de lembrar que o Gilson, tido como o primeiro a ir ao local, foi lá para me substituir, mais de uma hora depois de minha chegada à Rua Alice.
 
Nunca liguei para esse "lapso" e até ria ao assistir a eventuais reportagens ressuscitando o assunto, com informações geralmente superficiais.  Eu estava noutra, fazendo coisas na vida bem distantes do jornalismo. Mas foi justamente a abordagem do Linha Direta que me deixou revoltado. O programa seguiu uma linha equivocada do princípio ao fim. Os depoimentos de alguns colegas pecaram por graves imprecisões, principalmente quando contaram coisas que na realidade não testemunharam, porque não estavam lá no momento.
 
Tantas informações precárias tornaram o programa uma ficção e, o mais grave, transformaram  Maria da Conceição - uma importante suspeita - numa "mãe sofredora" que, bem ao gosto do núcleo de novelas da Globo, causou comoção em alguns milhões de telespectadores. Mandei um e-mail para a emissora, nunca me responderam. Fiz, então, algumas observações no fórum que o programa mantém na web, a respeito dessas incoerências. Foi a partir daí, depois de alguns meses, que a jornalista Renata Hingel entrou em contato comigo e... bem, o resto já está contado no site.
 
 
Quem comunicou o "rapto" na padaria?
 
Celso - Foi um empregado de João Mello, o Abel Silva. Eles e dois filhos haviam chegado de carro e, após soltarem a família que estava presa no banheiro e serem alertados do seqüestro, ainda conseguiram ver o seqüestrador pulando o muro da rua e sumindo no mato, enquanto um táxi que provavelmente dava apoio ao criminoso seguiu adiante, talvez levando apenas o menino (hipótese que se levantou posteriormente). Abel entrou no mato atrás do seqüestrador e João desceu de automóvel para a rua das Laranjeiras, onde pediu a ajuda de um PM de trânsito, que seguiu com ele para dar buscas. No meio da ladeira, encontraram um fusca da PM, que os acompanhou até o local do seqüestro. Como os policiais nada encontram no local nem nas ruas próximas, orientaram João a comunicar o caso à 9ª DP para prosseguimento à investigação e foram embora.

Você conversou com o pai de Carlinhos quando o encontrou na calçada?

Celso - Conversei pouco, naquele momento. Ele estava muito abalado, desesperado mesmo, sozinho feito um maluco no meio da rua, debaixo de chuva, chorando e gritando por ajuda. Jamais esquecerei essa cena tão forte. Os PMs já tinham ido embora. Contou-me resumidamente o que tinha ocorrido ("um sujeito roubou meu filho e fugiu pelo matagal ali", e apontava, trêmulo); perguntei se o filho estava com ele quando foi levado e ele me disse que não, que a mulher dele é que sabia os detalhes, que ela estava em casa e que eu podia entrar lá. Creio que ele pensou que eu era policial. A turma da 9ª DP chegou uns 10 minutos depois.

A família estava em casa quando um homem encapuzado entrou com uma arma e levou Carlinhos. De acordo com a mãe do menino, quando o marido voltou para casa na noite do crime, o seqüestrador ainda podia ser visto caminhando com Carlinhos. Porque ela ficou assistindo à TV como se nada tivesse acontecido?

Celso - Peraí! Não teve isso de encapuzado, não. O sujeito entrou na casa de cara limpa. Quando conversei com Conceição e as crianças (antes da polícia), todas disseram que o criminoso era um rapaz (jovem) preto, com blusa vermelha e cabelo tipo black power e só. Na versão posterior de Conceição para a polícia, ele já cobria o rosto com um pano, talvez um lenço, disfarçava a voz e tinha uma arma. Segundo as crianças me disseram, o sujeito não estava armado. Um fato curioso é que a própria Conceição mandou Carlinhos "ficar quieto e seguir com ele". No inquérito, alegou que fez isso para tranqüilizar o menino, mas os policiais acharam suspeito. 

Conceição mostrava distúrbios de comportamento flagrantes, como lhe disse anteriormente. A chegada dos repórteres e fotógrafos a deixou num estado de imensa felicidade, quase em êxtase. Aliás, ela não trocava a TV por nada e nem adiantava bater na sua casa durante os horários das novelas, ela não atendia. Aprendemos isso logo nos primeiros dias de campana na rua Alice. 

Quanto à cena na rua, o empregado João chegava em casa com Abel e duas crianças. Enquanto João fechava o veículo, Abel entrou, ouviu os gritos das crianças e da mãe trancadas no banheiro e soltou-as. Somente aí ficou sabendo o que ocorria na porta de casa e correu para fora, alertando João sobre o que acontecera. Chegaram à rua a tempo somente de ver um táxi partindo e um homem entrando no mato. Abel foi atrás dele, mas não o alcançou no matagal. Em nenhum momento o seqüestrador foi visto caminhando com o menino, como diz Conceição. E nem ela poderia saber se o seqüestrador ainda estava em posição de ser visto por João, já que estava presa no banheiro, não é lógico?

Quatro anos depois do seqüestro, Vera Lúcia, irmã de Carlinhos, disse à polícia que reconheceu Sílvio Azevedo Pereira, funcionário do laboratório do pai, como seqüestrador. Você acha que ela foi influenciada pela mãe a dizer isso? Por que ela esperou todo esse tempo?

Celso - É evidente que teve a pressão da mãe nesse depoimento, deve ter sido quase uma lavagem cerebral. Além disso, vários episódios protagonizados por Vera levam a crer que ela herdou alguma coisa da fantasia materna. Veja bem, Sílvio era freqüentador assíduo da casa de Conceição, certamente os filhos e a própria mãe o reconheceriam imediatamente, com lenço no rosto ou não. E a descrição do seqüestrador - jovem negro com cabelo black power - não era a de Sílvio. Diga-se de passagem, naquela época a figura do "negão black power" encarnava o estereótipo de bandido em qualquer ocasião. Todo assaltante tinha esta descrição no depoimento das vítimas. 
 
Além disso, Conceição, logo após o crime, alegou que não teria como identificar o seqüestrador "porque estava muito escuro e o homem usava um pano no rosto". Será que uma criança, assustada, conseguiria ver mais que ela? Fui o primeiro a conversar com os filhos, inclusive a Vera, e todos afirmaram categoricamente não conhecer o cara - estavam lúcidos, calmos e me pareceram sinceros. No dia seguinte ao do seqüestro, Vera Lúcia, incoerentemente, já acusava um vizinho, Kleber de tal, que foi imediatamente preso e interrogado, sendo solto pouco depois. Mais tarde, acusou o Sílvio. Não dá para levá-la a sério.

Conceição acusou todo mundo ligado ao marido, foram dezenas de infelizes incomodados ou presos por causa dela. Clientes de João foram acusados e investigados e até o sujeito que lhe vendera um carro foi preso e teve sua foto exibida nos jornais. Um vizinho (o tal Kleber), de quem ela não gostava, foi outra vítima. Um mecânico (José de tal) com quem ela teria tido um caso amoroso e que trocou sopapos com João Mello também penou. Conceição o acusou e, pessoalmente, conduziu a polícia até o seu trabalho na Baixada Fluminense para que fosse preso. Parece que ela acusava pelo seqüestro todos os seus desafetos e ex-amantes. Circulavam suspeitas entre os vizinhos, policiais e jornalistas de que Sílvio também estivera entre os casos amorosos atribuídos a Conceição, que passara a odiá-lo quando tudo terminou, como era seu costume. A comprovação deste romance teria sido a justificativa para o arquivamento do processo contra ele. 
O detetive particular Bechara Jalkh, que nos anos 70 investigou o seqüestro contratado pelo jornal O Globo, enviou o bilhete com o pedido de resgate a exames grafotécnicos. Segundo a matéria, o exame comprovou que a letra era de Sílvio Azevedo Pereira, funcionário de Costa que foi reconhecido por Vera Lúcia. É verdade?

Celso - O Bechara Jalkh era visto com reservas por alguns jornalistas e policiais devido a sua disposição para lances sensacionalistas e marketing pessoal. Também o fato de ser um anunciante tradicional de O Globo e o boato de que trocara seus serviços por inserções publicitárias na edição de domingo provocaram dúvidas sobre a validade de suas conclusões. De qualquer forma, as análises modernas e confiáveis feitas hoje na USP ou na Unicamp certamente seriam úteis para reavaliar o material analisado primariamente pelo detetive particular. O que a Globo fez naquela época foi montar um show, como em outras circunstâncias e ocasiões fez com o Padre Quevedo, por exemplo.

O que foi feito com o dinheiro arrecadado para o pagamento do seqüestro?

Celso - Primeiro é preciso saber como os Cr$100 mil foram obtidos. Quase metade (Cr$47.700) foi conseguido por empréstimo no Banco Nacional contra a garantia do imóvel do laboratório de João Mello e aval do pai dele; Cr$35.638 foram emprestados por dezenas de amigos da família de João (a família de Conceição não colaborou); Cr$16.110 foram levados pessoalmente por centenas de pessoas e R$4.700 foram depositados pelo público na conta bancária da campanha de arrecadação do dinheiro do resgate. Foram devolvidos o empréstimo bancários mais os juros e os empréstimos e depósitos identificados, que foram a maioria. Restaram cerca de Cr$10.500 provenientes de pessoas não identificadas, valor este que foi doado em partes iguais para três instituições de caridade: Lar Mãe Ritinha (espírita), Asilo João Emílio (católico) e Orfanato da Igreja Metodista do Catete. Todas as operações bancárias e recibos podem ser vistos
aqui.

Por que a mãe de Carlinhos foi presa?

Celso - Conceição foi uma das primeiras suspeitas e ficou sobre a guarda de policiais, mesmo em casa, logo após o seqüestro (veja jornal de 07/08/1973). Depois, foi detida e interrogada sobre a sua participação no crime, o que não foi conseguido porque ela teria surtado, porém, antes disto, teria dado detalhes que a comprometeram.

Fiquei surpresa com a sua afirmação de que a mãe teria planejado o seqüestro do próprio filho. Ela de alguma forma compactuou com o assassinato dele. Tudo que li até agora leva a crer que foi o pai de Carlinhos o responsável pelo seqüestro. De qualquer forma, as duas situações seriam terríveis. 

Celso - Renata, primeiro, esclareço que quem afirmou isso foi a investigação policial, não é dedução minha. Depois, permita-me discordar de você quando diz que de certa forma Maria da Conceição compactuou com o assassinato de Carlinhos. Ela jamais faria isso, por maior que fosse sua loucura. Ela tinha fixação, adoração pelo menino. Creio que ela só veio a se convencer da morte dele - se é que se convenceu - alguns anos depois. Na mente conturbada dela, segundo o relatório policial, esse golpe seria apenas uma maneira fácil de resolver a vida: deixaria o marido, ficaria com o amante, levaria o filho querido e faturaria uma graninha. Não era pra ter saído tão errado.

O João Mello é um dos maiores casos de injustiça perpretados pela polícia e, principalmente, pela imprensa. Lembra-me o caso da Escola Base, em São Paulo, onde os diretores da escola foram injustamente acusados de abusar das crianças e tiveram suas vidas destruídas. A vida de João Mello acabou, nunca se provou nada contra ele e ficou tudo por isso mesmo.

 
Fonte da matéria: Celso de Martin Serqueira, Renata Hingel
  
Eu digo agora quando a pericia chega para solucionar com técnologia Antropometria, Ergonomia, Craneometria, Antropologia, Criminalística o caso 'Carlinhos' seqüestrado nos idos 1973, retirado do seio de sua família que a época residia no Rio de Janeiro, mais precisamente na Rua Alice. Quem não se lembra do sorriso da criança bonita estampado em Jornal do Rio de Janeiro em manchetes por dias consecutivos? Como seria hoje o rosto provável desse senhor de 42 anos, Carlos Ramirez da Costa? Hoje, se ainda vivo, o modelo  retratado teria completos 42 anos de idade e, portanto, suas fotos quando desaparecido em nada contribuiriam para sua localização, pois já demonstraram com o tempo sua ineficácia

Projeção da criança Carlinhos (na época, com 10 anos)  para um futuro possível, 30 anos à frente (agora, com 42 anos).

Alguns traços foram baseados nas linhas faciais históricas do pai e da mãe.O processo de transformação facial de Carlinhos progrediu até, aproximadamente, seus 18 anos. Segundo os professores Vanrel e Campos (2005) , a Antropometria baseia-se na tomada de medidas, ângulos e projeções das diferentes partes do corpo ou dos seus característicos mensuráveis. A Identificação Antropométrica estuda a Craneometria, isto é, à realização e exame das medições e relações antropométricas das diversas partes do crânio, visando estabelecer identidade quanto à constituição, ao sexo, à raça e à idade do indivíduo

O objetivo deste ensaio é oferecer um Carlinhos projetado, próximo da sua hipotética atual aparência.

Alguns modismos faciais, tais como barba, bigode e tamanho do cabelo não podem ser exatamente previstos.


Mãe - reprodução

Pai - reprodução







 








PhotoComposerPlus 
 (Isnard Martins) 
Ferramentas utilizadas neste Ensaio

 

 

 

 

 

 

Galeria de alternativas de hábitos faciais

 BookShape (Isnard Martins) 

 Visual Grafus (Isnard Martins)
Mapa de Inteligência e Investigação

 

PhotoShop 7.0  (Adobe M.R.)


 

 
Esperamos com este trabalho auxiliar os esforços das autoridades e organizações dedicadas à busca de crianças desaparecidas e, quem sabe, ajudar na obtenção, de alguma forma, da resposta para a pergunta que o tempo não conseguiu calar:
" Sr. Carlos Ramires, onde se encontra neste exato momento?"

Bibliografia

Dantas, George F.Sistemas Biométricos de Identificação pela Imagem Facial. Consulta em Perito Criminal, http://www.peritocriminal.com.br/biometria.htm, em maio de 2005

 
Borges dos Reis, Albani; et Al; Tratado De Perícias Criminalísticas - Identificação Humana, de Editora Sagra Luzzato, Porto Alegre, 1999.
Martuscelli, Fausto Monteiro; Laudo Pericial - Exercício de Progressão para Carlos Ramires. 2005.
Moraes, Anamaria.; DESIGN E AVALIAÇÃO DE INTERFACE - Editora iUsEr, Rio de Janeiro, 2002.
Norman,Donald.THINKING BEYOND WEB USABILITY. Disponível
Santos , Robson. Ergonomização da Interação Homem-Computador. Monografia PUC-Rio, 2000
Martins, Isnard. Tools ergonomics for the graphic reproduction of facial images: man or computer production? Anais do Congresso Internacional de Design da Informação, setembro 2003, Recife, Pernambuco, Brasil.
Martins Isnard. Retrato Falado - Uma Abordagem Prática. Documentação Técnica – Software PhotoComposer, em 2003.
Vanrell,Jorge, Campos Maria B. ; consulta em
 http://www.pericias-forenses.com.br/icraniodo.htm ,  em outubro de 2005

Não temos informações sobre autoria das fotos do Pai, da Mãe e de Carlos Ramires. Solicitamos, com agradecimentos antecipados,   referências para o registro dos devidos créditos neste trabalho.

 

 
 
 
 

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